Ambos os métodos pagam a mesma quantia total por mês e mantêm-na constante. A única diferença é a ordem por que atacam as dívidas — e essa ordem decide quanto pagas de juros e quão depressa vês a primeira vitória.
Para cada dívida, todos os meses acrescentam-se os juros do período sobre o saldo em dívida e subtrai-se o pagamento desse mês. A taxa mensal usada é a TAEG dividida por 12.
Exemplo: um crédito de 12.000 € a 6% TAEG com prestação de 250 € tem 60 € de juros no primeiro mês (12.000 × 0,5%), pelo que só 190 € abatem ao capital. Ao terceiro mês o saldo é 11.427,15 €.
Pagas o mínimo de todas as dívidas e atiras todo o dinheiro extra à dívida com o saldo mais pequeno, ignorando a taxa. Quando essa desaparece, o que pagavas nela soma-se ao extra e ataca a seguinte mais pequena — daí "bola de neve".
Ganha em motivação: a primeira dívida cai depressa e isso sustenta o hábito. Costuma custar um pouco mais de juros do que a avalanche.
Mesma lógica, mas o extra ataca sempre a dívida de maior TAEG, independentemente do saldo. Matematicamente é o método óptimo: paga sempre o mínimo de juros possível, porque trava primeiro o que mais cresce.
A desvantagem é psicológica: se a dívida de maior juro também for a maior, podes passar muitos meses sem ver nenhuma desaparecer.
A consolidação substitui todas as dívidas por um único crédito novo, com prestação fixa calculada pela fórmula de amortização:
Onde D é o total em dívida, r a taxa mensal e n o número de meses. Pode baixar a taxa e a prestação, mas alongar o prazo faz-te pagar mais juros no total, mesmo com taxa menor. Os números à esquerda mostram-te o efeito real.
Não há uma resposta universal, e quem te disser que há está a vender alguma coisa. A avalanche é sempre a opção matematicamente melhor: ao atacar primeiro a dívida de juro mais alto, paga o mínimo de juros possível. A bola de neve custa quase sempre um pouco mais em juros, mas ganha onde a matemática não chega — na cabeça. Eliminar a primeira dívida depressa dá uma vitória concreta que ajuda a manter o esforço durante meses.
A pergunta certa não é "qual poupa mais cêntimos", é "qual é que eu vou conseguir cumprir até ao fim". Se a diferença de juros entre os dois for pequena — e muitas vezes é — a bola de neve pode valer mais pela disciplina que sustenta do que perde em juros. Se tiveres uma dívida de taxa muito alta a crescer depressa, a avalanche poupa-te dinheiro a sério e é a escolha óbvia. Esta calculadora mostra-te os dois lado a lado para decidires com números, não com fé.
Há um terceiro caminho que ninguém te deve impor: a consolidação de créditos, que junta tudo num único empréstimo. Pode baixar a prestação e a taxa, mas tem uma armadilha — alongar o prazo costuma fazer-te pagar mais juros no total, mesmo com uma taxa menor. Por isso a calculadora deixa-te inserir a taxa e o prazo que te oferecem e mostra-te a conta real, em vez de te empurrar para uma decisão. Antes de qualquer destes métodos, garante o fundo de emergência mínimo — sem ele, a primeira despesa inesperada manda-te de volta ao cartão.