01 — Definição

O que é a TSU

TSU significa Taxa Social Única. É a contribuição obrigatória para a Segurança Social em Portugal — paga tanto pelo trabalhador como pelo empregador sobre o salário bruto.

É chamada "única" porque unificou, em 1986, as várias contribuições sectoriais que existiam antes. Na prática, é a fonte de financiamento do sistema público de protecção social — pensões, subsídio de desemprego, subsídio de doença, licenças de parentalidade e outros apoios.

O que muita gente não percebe: a TSU tem dois lados. O trabalhador vê o desconto de 11% no seu recibo de vencimento. Mas o empregador paga adicionalmente 23,75% sobre o mesmo salário bruto — sem que isso apareça no teu recibo.

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TSU vs IRS: são dois descontos distintos. A TSU vai para a Segurança Social e financia prestações sociais. O IRS vai para o Estado e financia os serviços públicos em geral. Ambos são calculados sobre o salário bruto, mas com regras diferentes.

02 — Taxas 2026

As taxas da TSU em 2026

Quem pagaTaxaBase de cálculo
Trabalhador11%Salário bruto
Empregador23,75%Salário bruto
Total34,75%Salário bruto
Exemplo — Salário bruto 2.000 €/mês
Salário bruto 2.000 €
TSU trabalhador (11%) −220 €
IRS retido na fonte (estimativa) −200 € a −300 €
Salário líquido aproximado ~1.480 € a 1.580 €

Para o cálculo exacto do teu salário líquido com IRS Jovem, subsídios e situação fiscal específica, usa a calculadora de salário líquido.

03 — Custo Real

O custo real de um trabalhador para o empregador

O teu salário bruto não é o custo real que o empregador suporta. Para além do salário bruto, paga ainda 23,75% de TSU sobre esse valor — sem que isso apareça no teu recibo.

Custo real do empregador — Salário bruto 2.000 €/mês
Salário bruto 2.000 €
TSU empregador (23,75%) +475 €
Subsídio de alimentação (típico) +176 €
Custo mensal real para o empregador ~2.651 €

Um trabalhador com salário bruto de 2.000€ custa efectivamente ~2.651€/mês ao empregador — 32% acima do salário bruto e mais do dobro do salário líquido que o trabalhador recebe. Este desfasamento é importante para entender as negociações salariais e o mercado de trabalho.

04 — Coberturas

O que é que a TSU financia

A TSU financia o sistema de Segurança Social — um sistema de solidariedade intergeracional onde os activos de hoje financiam as prestações dos inactivos de hoje, e serão por sua vez financiados pelos activos de amanhã.

👴Pensão de velhice
Pensão de invalidez
💼Subsídio de desemprego
🏥Subsídio de doença
👶Licença parental
🕊️Pensão de sobrevivência
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Acesso às prestações: para ter direito a subsídio de desemprego, por exemplo, precisas de ter descontado pelo menos 360 dias nos últimos 24 meses. Para a pensão de velhice, são necessários 15 anos de descontos. Os anos e os montantes descontados determinam o valor das prestações a que terás direito.

05 — Trabalhadores Independentes

TSU para recibos verdes

Os trabalhadores independentes — a recibos verdes — têm um regime contributivo diferente. Não há empregador que pague a parte patronal, por isso suportam uma taxa diferente calculada sobre uma base também diferente.

Regime dos trabalhadores independentes — 2026

Taxa: 21,4% sobre 70% dos rendimentos trimestrais (para prestações de serviços). Sobre produtos a taxa é diferente.

Base de cálculo: 1/3 dos rendimentos dos últimos 3 meses × 70%. Actualizado trimestralmente.

Isenção no início: nos primeiros 12 meses de actividade, estão isentos de contribuições. A partir do 13.º mês, as contribuições tornam-se obrigatórias.

Coberturas: pensão de velhice, invalidez e parentalidade. Não têm direito a subsídio de desemprego.

Atenção: sem subsídio de desemprego e com coberturas mais limitadas, os trabalhadores independentes devem constituir um fundo de emergência mais robusto — tipicamente 6 a 12 meses de despesas — para compensar a menor protecção social.

07 — Perguntas Frequentes

Dúvidas frequentes sobre a TSU

A TSU é dedutível no IRS?
Sim, parcialmente. As contribuições para a Segurança Social (TSU do trabalhador — 11%) são dedutíveis à colecta de IRS até ao limite de 15% do salário bruto anual. Na prática, a dedução é automática quando declaras os rendimentos de trabalho dependente no Anexo A do IRS.
Os anos de TSU contam para a pensão?
Sim. Cada ano de descontos para a Segurança Social conta para a carreira contributiva — que determina a elegibilidade e o valor da pensão de velhice. Quanto mais anos de descontos e quanto maior o salário sobre o qual descontaste, maior a pensão. Os anos com salários mais altos têm mais peso no cálculo.
O que acontece à TSU se ficar desempregado?
Durante o período de subsídio de desemprego, a Segurança Social continua a fazer contribuições fictícias em teu nome — o que mantém a contagem de anos de carreira contributiva. Quando o subsídio termina e não há emprego, os anos param de contar até voltares a trabalhar e descontar.
A TSU é igual em todos os sectores?
Não exactamente. A taxa de 11% do trabalhador é universal para trabalhadores por conta de outrem. A taxa do empregador pode variar ligeiramente: 23,75% é a taxa geral, mas pode ser diferente para cooperativas, entidades sem fins lucrativos, trabalhadores domésticos, ou sectores com regimes especiais.
Posso optar por descontar mais para ter uma pensão maior?
Não existe essa opção no sistema público — os descontos são fixos e obrigatórios. Para complementar a pensão pública, a alternativa mais comum é o PPR (Plano Poupança Reforma), que tem benefícios fiscais específicos. Lê o nosso guia sobre o que é um PPR.

Aviso: este guia tem fins informativos e educativos. As taxas da TSU e as regras da Segurança Social podem ser alteradas por legislação. Verifica sempre as taxas em vigor na Segurança Social Directa ou consulta um contabilista para situações específicas.