O que isto não inclui: deduções pessoais (saúde, educação, dependentes), mínimo de existência e tributação conjunta de casais. Com esses, o teu IRS real tende a ser mais baixo do que o mostrado. Assume o caso simples: só recibos verdes, tributação individual.
Todos os números saem de fontes oficiais de 2026. Aqui está cada passo, para confirmares por ti.
A taxa é de 21,4%, mas não incide sobre tudo o que facturas. Aplica-se ao rendimento relevante, que é 70% da facturação de serviços. Esse valor divide-se por 12 para a base mensal.
Há um mínimo de 20€/mês e um tecto de 12 vezes o IAS. Nos primeiros 12 meses de actividade, a isenção é total.
Fonte: art. 168.º do Código Contributivo; taxa e IAS de 2026 (537,13€) confirmados pelo Guia Fiscal da PwC e pela Segurança Social.
Presume-se que 25% da facturação são despesas, pelo que só 75% é tributado (coeficiente de 0,75 para serviços do art. 151.º). Esse rendimento colectável passa pelos escalões progressivos de 2026.
Acima de ~30.580€ facturados entra a regra dos 15%: parte do desconto fica condicionada a despesas comunicadas à AT, descontado um montante fixo de 4.587,09€.
Fonte: art. 31.º e 68.º do CIRS, com a redacção da Lei 73-A/2025 (Orçamento do Estado para 2026).
A isenção é de 100% no 1.º ano, 75% do 2.º ao 4.º, 50% do 5.º ao 7.º e 25% do 8.º ao 10.º, até um rendimento isento de 55 vezes o IAS (29.542,15€).
Detalhe importante: a parte isenta conta na mesma para determinar a taxa aplicada à parte que não está isenta. Sem isto, o imposto ficaria subestimado.
Fonte: art. 12.º-B do CIRS, redacção em vigor desde 2025.
Para manter a conta honesta e geral, esta calculadora não inclui deduções pessoais (saúde, educação, dependentes, PPR), o mínimo de existência, nem a tributação conjunta de casais.
Com esses factores, o teu IRS real tende a ser mais baixo. O IVA é mostrado à parte porque não é teu: cobra-lo ao cliente e entrega-lo ao Estado.
Para o caso pessoal completo, usa o simulador oficial no Portal das Finanças.
| Escalão de IRS 2026 | Rendimento colectável | Taxa |
|---|---|---|
| 1.º | até 8.342 € | 12,5% |
| 2.º | 8.342 – 12.587 € | 15,7% |
| 3.º | 12.587 – 17.838 € | 21,2% |
| 4.º | 17.838 – 23.089 € | 24,1% |
| 5.º | 23.089 – 29.397 € | 31,1% |
| 6.º | 29.397 – 43.090 € | 34,9% |
| 7.º | 43.090 – 46.566 € | 43,1% |
| 8.º | 46.566 – 86.634 € | 44,6% |
| 9.º | superior a 86.634 € | 48,0% |
O maior erro de quem começa a passar recibos verdes é confundir facturação com rendimento. O que facturas não é o que ganhas: entre ti e o teu dinheiro estão a Segurança Social e o IRS — e, acima de 15.000€ por ano, o IVA que cobras e entregas ao Estado. Esta calculadora separa as três coisas para te mostrar, preto no branco, o que sobra de facto.
Como trabalhador independente tens três encargos que funcionam de forma distinta. A Segurança Social leva 21,4% sobre 70% da tua facturação de serviços, e pagas tu, mês a mês — ninguém desconta por ti. O IRS incide sobre o rendimento colectável, que no regime simplificado é apenas 75% do que facturas, e segue os escalões progressivos. O IVA, se aplicável, nunca é teu: passa por ti em direcção ao Estado.
A regra de ouro que ninguém te diz no início: guarda sempre cerca de um terço do que recebes para impostos. A Segurança Social não é descontada automaticamente, e o IRS acerta-se no ano seguinte. Quem não separa esse dinheiro à medida que factura, descobre o buraco quando a guia chega. Para o resto do teu planeamento, vê o fundo de emergência, os juros compostos e, se também tens salário, a calculadora de salário líquido.