O que são, exactamente?
Certificados de Aforro e Depósitos a Prazo são ambos produtos de capital garantido com tributação de 28% sobre juros. Mas a sua estrutura, flexibilidade e comportamento face às taxas de mercado são bem diferentes.
- Taxa variável — acompanha a Euribor a 3M
- Tecto de 2,5% e piso de 0%
- Juros capitalizados trimestralmente
- Mínimo de subscrição: 100€
- Reforços a partir de 10€
- Resgate após 3 meses (sem penalização de juros anteriores)
- Prémios de permanência crescentes a partir do 2.º ano
- Garantia do Estado Português (sem limite)
- Sem comissões
- Taxa fixa pelo prazo contratado
- Sem limite de taxa máxima
- Capitalização variável (anual, trimestral, mensal…)
- Mínimo variável (geralmente 500€+)
- Reforços geralmente não permitidos
- Mobilização antecipada com penalização
- Sem prémios de permanência
- Garantia FGD até 100.000€ por titular/banco
- Comissões possíveis (depende do banco)
Taxas em 2026 — o que está disponível
A taxa dos Certificados de Aforro desceu significativamente desde o pico de 2,5% em meados de 2024, mas voltou a subir em abril e maio de 2026, acompanhando a Euribor. O mercado de depósitos está a ajustar-se gradualmente.
Em maio de 2026, a taxa base da Série F está em 2,195% bruto (1,58% líquido). Para quem subscreveu há 2 ou mais anos, o prémio de permanência de +0,25% eleva a taxa efectiva a 2,445% bruto (1,76% líquido).
Séries antigas de CA valem ouro. Quem tem Certificados de Aforro da Série D ou E com anos de subscrição ainda activos está a receber taxas brutas de 3,5–4,2%, muito acima da inflação actual. Se tens série E ou D, não resgates — é provável que não encontres equivalente no mercado.
No mercado de depósitos, a taxa média dos novos depósitos a prazo ronda 1,4% bruto segundo o Banco de Portugal — bem abaixo dos CA. No entanto, há ofertas pontuais de bancos digitais e promotores que chegam a 2,5–3% bruto para novos clientes ou montantes elevados. Esses casos específicos podem superar os Certificados de Aforro.
A taxa dos CA é variável. Sobe quando a Euribor sobe, desce quando desce. Um depósito a prazo de taxa fixa bloqueia o rendimento — o que pode ser bom (se as taxas descerem) ou mau (se subirem). Em 2026, a Euribor está em tendência de subida, o que favorece os CA.
Comparação directa — 10 critérios
| Critério | CA Série F | Depósito a Prazo |
|---|---|---|
| Taxa de juro | Variável (Euribor 3M, max 2,5%) | Fixa durante o prazo |
| Capitalização | Trimestral (vantagem) | Depende do contrato |
| Mínimo de entrada | 100 € | Geralmente 500–1.000 € |
| Reforços | Sim, a partir de 10 € | Geralmente não |
| Liquidez | Após 3 meses (sem perda de juros passados) | Fim do prazo (ou penalização) |
| Prémios | Sim, crescentes a partir do 2.º ano | Não |
| Garantia | Estado (sem limite) | FGD até 100.000 € |
| IRS | 28% (retido na fonte) | 28% (retido na fonte) |
| Comissões | Nenhuma | Possíveis (depende do banco) |
| Onde subscrever | CTT, Banco BiG, aforrop.pt | Qualquer banco |
Quando escolher cada opção
Não há uma resposta universal. (Vê também como começar a investir para enquadrar estes produtos.) A escolha certa depende do teu horizonte, do montante que tens disponível e da taxa concreta que o banco te oferece.
Escolhe Certificados de Aforro se...
Queres flexibilidade — possibilidade de reforçar com valores pequenos e levantar após 3 meses sem penalizar os juros acumulados. Se o teu banco oferecer uma taxa de tabela média (~1,4%), os CA são quase sempre superiores. São também úteis como reserva do fundo de emergência. Também são a melhor opção para quem quer investir mensalmente sem um montante inicial elevado — o mínimo de 100€ e reforços de 10€ não têm equivalente nos depósitos.
Escolhe Depósito a Prazo se...
Encontras uma oferta com taxa bruta acima de 2,5% (para novos clientes ou montantes elevados) e podes comprometer o dinheiro pelo prazo total sem precisar de liquidez. Também faz sentido se antecipas uma descida das taxas Euribor — o depósito fixa o teu rendimento, o CA acompanha a descida. Em períodos de incerteza sobre a Euribor, a taxa fixa tem valor.
Considera as duas em paralelo
Não tens de escolher uma só. Uma estratégia comum é manter o fundo de emergência nos CA (liquidez após 3 meses, sem penalização, reforços fáceis) e aplicar capital que não vais precisar num prazo definido num depósito com taxa competitiva. Os dois produtos servem objectivos diferentes e complementam-se.
Exemplo concreto: 5.000€ por 2 anos
Com a taxa média do mercado, os Certificados de Aforro ganham claramente ao depósito — com mais 59€ líquidos em 2 anos para 5.000€. Com os melhores depósitos disponíveis (2,5%), a diferença é pequena e pode inverter-se, dependendo da capitalização contratada.
Usa a calculadora para verificar com os teus números exactos e a taxa real que o teu banco oferece.
Para encontrar os melhores depósitos: o site Economia e Finanças mantém um comparador mensal actualizado com todos os depósitos disponíveis em Portugal. É o recurso de referência para comparar taxas — os bancos raramente promovem as melhores ofertas nos canais principais.
O que levar deste guia
- Em 2026, os CA Série F oferecem 2,195% bruto (1,58% líquido) — acima da taxa média de depósitos do mercado (~1,4% bruto)
- Os CA têm vantagens únicas: reforços a partir de 10€, liquidez após 3 meses, prémios de permanência crescentes e sem comissões
- Os melhores depósitos do mercado chegam a 2,5–3% bruto — e podem superar os CA se encontras essa oferta
- Se tens Certificados de séries antigas (D ou E), mantém-nos — estão a render acima da inflação e não consegues equivalente hoje
- Para o fundo de emergência, os CA são a escolha mais racional: liquidez, flexibilidade, rendimento e sem penalizações
- Não compares apenas a taxa nominal — considera capitalização, penalizações de saída, mínimos e a tua necessidade de liquidez